A crise de estilo (ou identidade?) pós maternidade que depois de dois anos ainda confunde o meu espelho

Ninguém te prepara para o amor avassalador que você vai sentir depois do nascimento do seu bebê, mas muita gente te avisa que ele vai existir.
Ninguém te prepara para o puerpério, mas cada vez mais (graças a Deus!) muita gente fala sobre ele.
Ninguém te prepara para as noites mal dormidas, mas todo mundo, irritante e incansavelmente, te lembra que elas virão.
Me falaram tantas coisas, me deram tantos palpites nunca solicitados, mas ninguém me preparou, tampouco me avisou da crise de identidade que se poria, principalmente na minha relação com o meu guarda-roupa depois da maternidade.
E se absolutamente tudo mudou com a chegada da minha filha, como isso também não mudaria?
O corpo mudou, o cabelo caiu mas depois nasceu, e está todo arrepiado, a dinâmica do meu casamento mudou, meus padrões de sono também, os passeios mudaram, alguns amigos foram embora, mas novos amigos chegaram. Não sei mais do que gosto, leio menos e durmo sempre que começo assistir a um filme. Me parece natural que a mudança também viria para o meu guarda-roupa.
Conforme meu corpo foi se recuperando e se estabelecendo na forma que nunca mais foi a mesma (e provavelmente nunca será), e as roupas foram voltando a servir, eu só me vi usando jeans e camiseta ou roupa de academia, ainda que eu mal frequentasse uma.

A moda comunica, as roupas passam mensagens. Para quem as usa e para quem as vê, e sempre gostei de expressar autenticidade através das minhas roupas e do meu estilo, mas depois da gravidez, qualquer troca de roupa era uma crise da qual eu sempre saia de casa me sentindo fantasiada, fingindo ser alguém que não era. Não me reconhecia em roupas antigas e não me encontrava em roupas novas. Eu não sabia mais quem eu era, e minhas roupas comunicavam exatamente essa confusão.
Minha filha nasceu nos Estados Unidos e minha mãe passou um mês com a gente. Quando ela foi embora eu desesperei. Cuidar da minha filha sem a minha mãe parecia impossível. Pensava que minha filha estava muito mais segura com a avó do que comigo, afinal, ela é “mais mãe” que eu, ela já é mãe há décadas, e o que eu sabia sobre ser mãe?
A verdade é que eu sabia muito pouco. E independentemente disso, eu era. Não só era, como esse era agora um aspecto que me atravessava quase que por inteira. E como vestir essa pessoa que sou, mas que não me vejo, ou me sinto? Eu era mãe, mas não me sentia muito mãe, ou pelo menos não uma boa mãe.
Com o tempo, e conforme fui aprendendo a ser mãe e me enxergando como uma, fui me sentindo mais confortável em minha nova pele, e encontrando novas formas de vesti-la. Descobrindo novas peças e combinando peças da Alicia que já foi com novos elementos, vou encontrando a Alicia que é hoje.
Ainda não me encontrei por completo, isso me parece impossível. Mas com cada tropeço e acerto, sigo aprendendo a ser mãe. Nesse processo, imagino que em breve outras crises virão. Só posso dizer que vou tentar navegá-las com mais graça, aceitar o processo e me encontrar no caminho.
Conteúdo relacionado:
Disney – quando ir? Um breve guia mês a mês